NBR 13716 – Máscaras Autônomas com Circuito Aberto
Análise completa + Comparação com EN 137, EN 136 e NFPA 1981
As máscaras autônomas de ar comprimido (SCBA) são um dos Equipamentos de Proteção Respiratória mais críticos quando o ambiente se torna imediatamente perigoso à vida e à saúde (IPVS). Em incêndios, atmosferas tóxicas, resgates e operações industriais severas, elas são literalmente o divisor entre vida e morte.
No Brasil, a referência oficial continua sendo a NBR 13716:1996, hoje em revisão pela ABNT. Embora antiga, ela estabelece fundamentos sólidos para utilização em atividades de alto risco, alinhando-se às diretrizes das NRs do MTE, especialmente NR-6, NR-23, NR-33 e NR-34.
Histórico e Contexto Normativo
A NBR 13716 foi inspirada na EN 137/1991 e ainda permanece como a única norma brasileira para SCBAs de circuito aberto. Em 2022, a Portaria MTP 806/2022 reforçou os requisitos de certificação dos EPRs, o que consolidou a norma no cenário regulatório.
A versão vigente é:
- NBR 13716:1996 – Versão atual e válida
- Revisão ABNT em andamento
- Alinhada conceitualmente às EN 136, EN 137 e, em muitos pontos, à NFPA 1981
Finalidade da Norma
A NBR 13716 estabelece os requisitos mínimos para:
- Projeto
- Materiais
- Segurança
- Autonomia
- Desempenho respiratório
- Ensaios térmicos, mecânicos e de visibilidade
- Alarmes e reguladores
- Confiabilidade do sistema em uso real
Aplicação:
Bombeiros
Brigadas industriais
Emergências químicas
Resgate e salvamento
Atmosferas IPVS conforme NR-33
Não se aplica a:
Equipamentos de fuga
Circuito fechado
Equipamentos de mergulho
Requisitos Técnicos Principais da NBR 13716
Projeto e Construção
- Simplicidade operacional
- Resistência a impactos, quedas e vibração
- Robustez do conjunto contra uso descuidado
- Fácil desmontagem, higienização e inspeção
- Máscara facial inteira com excelente vedação
Peça Facial (EN 136 – Classe 3)
A NBR 13716 exige desempenho equivalente à Classe 3 da EN 136, que é o padrão mais alto para:
- Resistência à chama
- Resistência a impactos
- Estanqueidade sob esforço
- Campo visual amplo
- Estabilidade no rosto em movimentos agressivos
Regulador de Demanda
- Operação contínua em pressão positiva
- Fluxo estável mesmo com respiração acelerada
- Impede colapso da máscara
- Deve manter estanqueidade sob esforço máximo
Autonomia, Cilindros e Peso
- Capacidade típica: 500 a 2000 L
- Para bombeiros: recomendado mínimo 1600 L
- Cilindros em aço, alumínio ou fibra de carbono
- Peso máximo pela norma: < 15 kg
Alarme de Baixa Pressão
O alarme deve disparar quando:
- A pressão atingir 5 ± 0,5 MPa, ou
- Restarem cerca de 200 L de ar útil
Deve ser audível, inequívoco e confiável.
Ensaios Obrigatórios
A NBR 13716 exige testes de:
- Estanqueidade
- Resistência térmica
- Exposição à chama
- Choque térmico
- Visibilidade sob calor
- Funcionamento do regulador
- Ensaios práticos com usuário sob esforço
Tabelas Comparativas – NBR 13716 × EN 137 × EN 136 × NFPA 1981
A seguir, os quadros visuais com maior impacto técnico e decisório.
Visão Geral das Normas
| Critério | NBR 13716 (Brasil)——– | EN 137 (Europa)——– | EN 136 (Europa)——- | NFPA 1981 (EUA)——– |
| Ano-base | 1996 | 2012/2018 | Última revisão | 2018/2023 |
| Tipo de equipamento | SCBA circuito aberto | SCBA circuito aberto | Peça facial inteira | SCBA circuito aberto |
| Pressão positiva | Obrigatória | Obrigatória | Compatível | Obrigatória |
| Resistência térmica | Alta | Muito alta | Muito alta | Extremamente alta |
| Ensaios de chama | ||||
| Ensaios de visibilidade—– | ||||
| Telemetria | Não previsto | Não previsto | Não previsto | Previsto |
| Atualização | Desatualizada | Atual | Atual | Muito atual |
Comparação de Ensaios Térmicos
| Ensaio | NBR 13716——- | EN 137——– | NFPA 1981 |
| Exposição à chama direta | (flashover)—— | ||
| Choque térmico | |||
| Operação a –30 °C | |||
| Resistência a 260 °C prolongados | Alta severidade |
Comparação de Ergonomia e Peso
| Critério | NBR 13716——– | EN 137 | NFPA 1981 |
| Peso máximo | < 15 kg | < 15 kg | Sem limite fixo (mercado trabalha entre 10,5–14 kg)——- |
| Campo visual | Alto | Muito alto———- | Altíssimo |
| Estabilidade facial | Boa | Excelente | Excelente |
| Compatibilidade com PASS——- | Não previsto | Não previsto | Obrigatório |
Comparação de Ensaios de Desempenho Respiratório
| Teste | NBR 13716——— | EN 137——— | NFPA 1981 |
| Estanqueidade facial | |||
| Pressão positiva contínua | |||
| Ensaios com usuário | (mais rigoroso) | ||
| Resistência ao fluxo | (critérios mais intensos)——– |
Relação com as NRs do MTE
As máscaras autônomas aparecem em pontos-chave de quatro normas:
NR-6 – EPI
- CA obrigatório
- Treinamento de uso e inspeção
- Conformidade com NBR 13716 e normas complementares
NR-23 – Proteção Contra Incêndios
- SCBAs obrigatórios para brigadas
- Devem estar testados e prontos para uso imediato
NR-33 – Espaços Confinados
- SCBA é o equipamento padrão para IPVS
- Uso recomendado quando APR não oferece proteção suficiente
NR-34 – Indústria Naval
- Obriga EPR robusto para situações críticas de incêndio e resgate
Considerações
Quando se analisa o conjunto das normas, fica evidente que a NBR 13716 estabelece a base necessária, mas não acompanha a evolução técnica das normas internacionais. As EN-137 e EN-136 trouxeram atualizações importantes em ergonomia, materiais, visibilidade e resistência térmica, enquanto a NFPA 1981 levou essas exigências a um nível ainda mais rigoroso, especialmente nos testes de alta temperatura e flashover.
Por isso, embora a NBR 13716 continue obrigatória no Brasil, o caminho mais seguro — especialmente para bombeiros industriais, siderurgia, óleo & gás e emergências químicas — é selecionar equipamentos que cumpram simultaneamente:
NBR 13716 + EN 137 + EN 136 Classe 3 + NFPA 1981
Essa combinação entrega o estado da arte em proteção respiratória, aumenta a vida útil dos equipamentos, reduz riscos em operações reais e proporciona maior confiança para quem está na linha de frente.
Versão Atual Da Norma
Norma vigente: NBR 13716:1996.
Status atual: Projeto de Revisão em consulta nacional para atualizar requisitos e métodos de ensaio. Animaseg.

