Trabalho em Altura – Linha de Vida

O trabalho em altura, apesar de perigoso, é uma tarefa que tem sido cada vez mais requisitada por empresas. Isso acontece devido ao grande avanço da tecnologia em relação às máquinas e equipamentos. Sendo assim, se torna necessário ao trabalhador se adaptar a essas necessidades.

E embora os acessórios utilizados para a execução deste tipo de trabalho também estejam avançando, se torna necessário sempre observar as condições de segurança em que se encontram os trabalhadores, e se os mesmos estão fazendo o uso correto dos equipamentos.

Neste material, você poderá encontrar definições técnicas sobre o cálculo de linha de vida bem como, as definições de um trabalho correto. Porém como cada atividade possui suas particularidades e desafios específicos é muito importante que todo projeto e especificação de equipamentos seja realizada por profissionais com experiência no assunto. Não se arisque a especificar adaptações e fazer improvisos em qualquer atividade relacionada com trabalho em altura.

Quais são as responsabilidades do empregado e do empregador em relação ao trabalho em altura?

A NR 35 define que em relação ao trabalho em altura, tanto empregado como empregador possuem responsabilidades administrativas e competências para que possam realizar uma atividade laboral de maneira segura.

É válido ressaltar que de acordo com as NRs 01, 18 e 35 definem que independentemente do porte da empresa, é preciso que as mesmas tomem medidas para resguardar a integridade física e saúde do trabalhador.

Sendo assim, todas as atividades de risco que forem executadas no trabalho, devem antes ser autorizadas por um agente responsável. Nesse caso, o agente responsável pode ser um engenheiro, mestre ou encarregado pessoal com proficiência no trabalho. Para saber mais sobre profissionais treinados, capacitados

Há de se lembrar que em tais atividades é necessário o desenvolvimento de um procedimento operacional. Este, por sua vez deve seguir as normas, detalhando cada tarefa, analisando as condições impeditivas, sistemas de proteções coletivos e individuais bem como, competências e responsabilidades.

Lembrando que o trabalhador também é responsável pela sua segurança. Assim, ele deve cumprir as medidas de controle determinadas nas análises de ricos, solicitar permissão de trabalho dos responsáveis pela atividade e utilizar os EPIs e EPCs conforme orientação da empresa.

Sobre a capacitação e treinamento

Em se tratando de capacitação e treinamento, a NR 35 deixa bem claro que o empregador deve promove-la aos seus empregados. Sendo que ele só será considerado treinado mediante aprovação em curso teórico e prático. A carga horária mínima para tal capacitação deve ser de 8 horas.

O Item 35.3.1 diz que: “O empregador deve promover programa para capacitação dos trabalhadores à realização de trabalho em altura”.

E o Item seguinte, 35.3.2, que: Considera-se trabalhador capacitado para trabalho em altura aquele que foi submetido e aprovado em treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de oito horas, cujo conteúdo programático deve, no mínimo, incluir:

  1. a) normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura;
  2. b) análise de risco e condições impeditivas;
  3. c) riscos potenciais inerentes ao trabalho em altura e medidas de prevenção e controle;
  4. d) sistemas, equipamentos e procedimentos de proteção coletiva;

Ressalta-se que o treinamento deverá ser ministrado por instrutores que sejam especialistas no assunto. As NRs 20, 33 e 35 dizem que o instrutor deve ter proficiência no assunto. Clique aqui e Entenda como comprovar proficiência em trabalhos em altura.

Ao final da realização do treinamento, é necessária a emissão de certificado onde deve constar todo o conteúdo que foi desenvolvido.

O certificado deverá conter informações como carga horária, nome do instrutor, assinatura, bem como, nome do trabalhador. O mesmo deverá ser entregue ao trabalhador e uma cópia deverá ficar na empresa.

Procedimento de análise de risco

A análise de risco é realizada de acordo com as instruções da NR 35 e deve considerar as seguintes informações:

  • O local onde o serviço será desenvolvido;
  • A sinalização assim como, o isolamento da área onde será executada a tarefa;
  • A definição de pontos de ancoragem e sistemas;
  • As condições de tempo e se estas serão favoráveis para a execução do trabalho em questão;
  • O uso de sistemas de proteção coletiva e individual de acordo com as normas técnicas vigentes;
  • A análise do risco de quedas de materiais e ferramentas inerentes à execução do trabalho em questão;
  • Os trabalhos que podem ocorrer de forma simultânea e apresentar riscos específicos;
  • A análise se todos os requisitos de segurança e saúde estão sendo respeitados de acordo com as demais normas regulamentadoras;
  • Quaisquer riscos adicionais ou condições impeditivas;
  • A análise de situações de e emergência bem como o resgate e primeiros socorros, ressaltando que é importante observar a redução do tempo da suspensão inerte do trabalhador;
  • Quais são os sistemas de comunicação necessários para a realização do trabalho;
  • Como o trabalho será supervisionado.

Sobre a permissão do trabalho em altura

Também chamada de PTA, a permissão do trabalho em altura só será aplicada em trabalhos não rotineiros cuja atividade seja superior a 2 metros de altura, de acordo com a NR 35.

Ela é um documento e nele se encontram todas as informações necessárias para o desenvolvimento de um trabalho seguro, Dessa forma, em uma PTA as seguintes informações devem ser constadas:

  • Requisitos mínimos para a execução de um trabalho seguro;
  • As medidas e disposições estabelecidas na análise de risco;
  • Todos os envolvidos bem como, suas autorizações para a realização do trabalho.
  • Tempo limitado de validade de acordo com a duração da atividade.

Soluções contra a queda do trabalho em altura

De acordo com a NR 35 existem soluções que visam impedir que a queda do trabalho em altura aconteça, estas são chamadas de hierarquia de controle para a proteção contra a queda de trabalho em altura e devem respeitar as seguintes condições:

  • Sempre houver outras possibilidades que evitem o trabalho em altura, estas devem ser consideradas em primeiro lugar;
  • Na impossibilidade de outra forma de trabalho, devem ser executadas medidas que eliminem os riscos da queda do trabalhador em execução de atividade em altura;
  • Medidas que visam a minimização das consequências de uma possível queda durante a execução do trabalho.

Além disso, a OHSAS 18001 determina que a seguinte hierarquia deve ser respeitada de acordo com o desenvolvimento do trabalho em altura:

  • Eliminação – eliminar o perigo possibilitando a execução de atividades a nível de solo;
  • Substituição – alteração de processos muito perigosos por processos menos perigosos;
  • Controles de engenharia – utilização de sistemas de proteção individual e coletiva;
  • Sinalização ou advertência e/ou controles administrativos – tudo que envolva análise de riscos, alarmes e medidas administrativas que sejam utilizadas para evitar o risco de acidente de trabalho;
  • EPI- utilização de equipamentos de proteção individual contra a queda do trabalhador.

Sobre a seleção do EPI qualificado

O Equipamento de Proteção Individual (EPI) irá garantir que o trabalhador esteja protegido mesmo que aconteça algum acidente. O trabalhador deve recursar a efetuar o trabalho caso a empresa não disponibilize os equipamentos ou se os mesmos apresentarem defeitos.

Ademais, a NBR 15836 (Equipamento de proteção individual contra queda de altura — Cinturão de segurança tipo para-quedista), determina que durante toda a exposição do risco de queda o trabalhador deve permanecer em um sistema de ancoragem estabelecido na análise de risco.

Os principais EPIs utilizados para o trabalho em altura são:

  • Fitas primárias superiores;
  • Fita secundária;
  • Fita primária subpélvica;
  • Fita primária da coxa;
  • Apoio dorsal para posicionamento;
  • Fivela de ajuste;
  • Elemento de engate para posicionamento;
  • Fivela de engate.

Além disso, os cinturões devem possuir, pelo menos, um elemento de ligação de acordo com o trabalho que será executado.

O talabarte utilizado dentro do sistema antiqueda deve atender às condições da NBR15834 ou NBR15835 de acordo com o posicionamento ou restrição de movimento do trabalho a ser executado.

Cálculos de linha de retenção de quedas e de restrição de movimentos

Cálculo da Flecha – Linha de Vida NR 35

O cálculo de linha de retenção de queda deve observar as condições do local onde será executado o trabalho, levando em consideração que cada local exige um sistema de proteção diferente, assim como, deve analisar se a linha de vida é, de fato, a melhor forma de proteção ao trabalhador.

Além disso, a linha de vida deve ser projetada de modo que o trabalhador consiga alcança-la com total segurança. Também é preciso analisar os pontos de acesso e o número de pessoas que precisam utilizar a linha de vida simultaneamente.

Assim, para desenvolver um sistema de linha de vida é preciso considerar os seguintes elementos:

Fd – Flecha dinâmica máxima

T – comprimento total do talabarte + absorvedor de energia totalmente aberto

Ref. – distância de referência entre o anel D do cinturão paraquedista e o pé do trabalhador

M – distância entre o pé do trabalhador e o piso após a queda

É preciso também considerar o fator de queda que consiste na razão entre a distância percorrida pelo trabalhador na queda e o comprimento do equipamento que irá detê-lo.

Fator de queda =  Altura da queda/ comprimento do talabarte

Para entender se o fator de queda é favorável é possível analisar a tabela de classificação dos fatores de queda:

Classificação dos fatores de queda
Fator 0 = Resultado Fator queda < 1 Ideal para a execução
Fator 1 = Resultado Fator queda = 1 É preciso aumentar o nível de atenção
Fator 2 = Resultado Fator queda = 2 É preciso aumentar o cuidado
Fator acima de 2 = Fator queda > 2 O trabalho NUNCA poderá ser executado assim

As linhas de vida podem ser projetadas tanto de forma horizontal ou vertical, contudo, este material apresentará conceitos e estudos para cálculo de linha de vida horizontal. 

Sobre a linha de vida horizontal flexível

A linha de vida horizontal flexível deve ser presa em duas ancoragens fixadas em cada extremidade. Ela poderá ou não ser composta por outros elementos sendo retilínea ou formar ângulos entre dois vãos.

O material de uma linha de vida pode em corda de fibra sintética, fitas ou cabo de aço. Lembrando que se a utilização da linha for em cordas ou fitas, estas deverão suportar 3 vezes a carga atuante.

O estudo da linha de vida pode ser dividido em duas partes:

  • Dimensionamento e componentes;
  • Instalação.

Lembrando que são dois projetos distintos.

Escolha dos pontos de ancoragem

Os pontos de ancoragem devem ser determinados por testes de carga, resistindo no mínimo, 2 vezes a carga que estará submetendo.

O estabelecimento dos pontos de ancoragem é orientado pelas NBR 16325-1, para pontos de ancoragem tipos A, B e D, NBR 16325-2 para pontos de ancoragem tipo C.

Tipo A – fixado de forma permanente na estrutura.

Tipo B – ancoragem transportável com mais de um ponto de ancoragem estacionária.

Tipo C – inclui uma linha de ancoragem flexível horizontal que não pode se desviar do plano por mais de 15º, devem ser calculados considerando os resultados dos cálculos ou testes realizados pelo sistema proposto.

Tipo D – inclui uma ancoragem rígida que não pode se desviar do plano horizontal por mais de 15º.

A linha de vida horizontal deve resistir às forças:

  • Do cinto de segurança
  • Talabarte
  • Argola D
  • Absorvedores de energia
  • Conectores
  • Cabos de aço
  • Sistema de ancoragem

Realizando o cálculo

O primeiro cálculo a ser realizado é o cálculo da zona livre de queda, que consiste na região entre o ponto de ancoragem com o obstáculo inferior que é ponto mais próximo que o trabalhador possa cair.

Assim, alguns absorvedores de energia podem ser utilizados, iremos analisar o cálculo de cada um deles:

Talabarte

f3 = Flecha dinâmica de cálculo.

a = Comprimento do talabarte.

b = Comprimento do absorvedor de energia totalmente aberto.

c = Distância do elemento de engate do cinturão até o pé da pessoa (1,5 m). Adotamos 1,8 m para prevenir escorregamento do cinto.

d = Distância de

ZLQ = f3 + a + b + c + d

Travaquedas acoplado ao anel D do cinturarão de segurança

Observe a imagem

Fonte: Guia Prático para Cálculo de linha de vida (2017)

De acordo com a imagem, o cálculo deverá ser realizado da seguinte forma:

Hp = f3 – f1+ B1- b1 + D1

A altura mínima para a instalação do travaquedas deve observar a seguinte fórmula:

ZLQ = f3 + A1 + B1 + C1 + D1

Cálculo da linha de vida

O cálculo da linha de vida pode se dividir em etapas:

Etapa 1

É preciso considerar a flecha menor que 3% do vão:

Fl1 = 0,03 l

Etapa 2

É preciso realizar o cálculo da flecha da montagem que deve ser no mínimo de 3% do vão:

L1= L (1+2/3 (f1/ l/2)²

Etapa 3

Calcular flecha triangular considerando o comprimento L1 do cabo

F2 = √( L1 /2)² – ( L/2)²

Etapa 4

Realizar cálculo do alongamento do cabo submetido à uma força de tração qualquer. Para tanto, é preciso saber qual a força de tração do cabo (T1) que deve seguir como orientação:

ΔL = Alongamento do cabo submetido a uma força T.

T = Força inicial adotada para o início do cálculo de iteração.

L1 = Comprimento do cabo com a flecha adotada.

Ac = Área metálica do cabo (informação obtida dos catálogos dos fabricantes de cabo de aço).

E = Modulo elástico do cabo (retirado do manual técnico CIMAF = 9,5 x 105 kgf/cm² para o cabo 6×19).

ΔL = T L1/ E Ac

Etapa 5

Cálculo da Flecha dinâmica F3 para a força adotada

F3 = √(L1 + ΔL/2)² – (L/2)²

Etapa 6

Determinação da carga dinâmica vertical que aruá perpendicularmente ao cabo

A carga dinâmica vertical pode ser considerada de 600 Kgf levando em consideração as normas brasileiras de fabricação de absorvedores de energia e trava-quedas.

Etapa 7

Determinação da força no cabo de aço

O cálculo deve ser realizado por triângulos, onde a força T1 é calculada. Observe as figuras:

Fonte: Guia Prático para Cálculo de linha de vida (2017)

A fórmula então será:

T1 = P(L1+ ΔL)/ 4 f3

Etapa 8

Cálculo da força de tração T de projeto e fator de segurança.

Para que você possa realizar tal cálculo, será necessário que você monte uma planilha do Excel com dados com os dados abaixo descritos:

Peso do corpo: utilizar como padrão 100 Kg

Vão (L) : valor da medida da distância entre duas ancoragens

Diâmetro do cabo (d) : medida do cabo utilizado

Força de ruptura do cabo (fu): valor indicado pelo fabricante

Número de pessoas (n): número de pessoas que irão utilizar o cabo ao mesmo tempo.

Comprimento do talabarte (a): medida somente do talabarte.

Comprimento do absorvedor de energia estendido (c): diferença entre valor do absorvedor de energia fechado e aberto.

Uso de trava-quedas retrátil (A1): valor médio do escorregamento do trava-quedas.

Espaço de frenagem de trava retrátil (B1): espaço percorrido entre o trava-quedas até o ponto de conexão da argola D.

Etapa 9

Para finalizar, é preciso fazer o cálculo da linha de retenção de queda, através dos seguintes elementos:

Flecha (%) – Percentual da flecha do vão que deve ser maior que 3%.

Comprimento do cabo – feito em mm e maior que distância entre o vão.

Distância de alongamento (ΔL) – valor máximo do estiramento do cabo.

Flecha inicial parabólica (f1) – flecha de montagem do cabo, deve ser calculada em mm.

Flecha inicial do cabo reto (f2) – calculada sem aplicação de carga, o valor deve ser em mm.

Flecha total carga dinâmica (f3) – cálculo que considera o aumento do cabo decorrente da queda.

Distância de frenagem – diferença entre flecha dinâmica e flecha do cabo reto.

Carga do corpo (P) – 120 Kg

Força no cabo (T1) – força de iteração adotada.

Força admissível (Fadm) – calculada através do valor da carga de ruptura do cabo utilizado dividido pelo fator de segurança 2 e multiplicada por 0,8.

Número de pessoas (n) – número de pessoas que irão utilizar ao mesmo tempo a linha de vida.

Hmin cabo/piso-talabarte (ZLQ 1) – calculada através de flecha dinâmica no cabo + comprimento do talabarte + comprimento do absorvedor de energia totalmente aberto + altura do anel D ao pé do colaborador (1,8 m) + 1,0 m (distância de segurança pedida pela norma).

Dist. piso trab./piso abaixo p/ trava-quedas (Hp) – cálculo do piso da distância de trabalho e local da queda.

Coeficiente de utilização do cabo (<100%) – Razão entre força no cabo e força admissível de trabalho cujo valor deve ser menor que 100.

Fator do serviço do cabo – calculado através do valor de força admissível pelo fator de segurança 2 dividido pela força calculada. Resultado deve ser maior que 2.

Conclusão

Como podemos observar, o cálculo de linha de vida é um assunto bastante técnico e por isso é importante que um especialista experiente realize o projeto e especifique os equipamentos que irão melhor se adequar a cada atividade. Está com dúvidas ou quer mais informações a respeito dos nossos produtos e serviços, então entre em contato, será um prazer ajudar você e sua empresa nessas atividades.

 

Fontes e Bibliografia:

Contato

Telefone: (11) 2577-0249 /  (11) 5594-6019

WhatsApp: (11) 93434-8899

E-mail:  breathe@breathe.com.br